A Secom é uma maravilha...

Dia destes, ao entregar a última edição da Revista Boa Viagem - leitura de bordo a um eminente petista, destes que colocam vida e alma a serviço do Partido, suportando por isto mesmo muitas incompreensões e ataques, perguntou-me como ia a vida e a luta, ao que respondi que, teimosamente, a revista e eu continuávamos com o mesmo defeito: assumíamos a defesa do Governo Lula-PT e da importância de suas políticas e que por isso mesmo continuávamos sendo discriminados na Secom do Governo Federal. Com ironia, ele passou então a relatar conversa que tivera com editor de outra publicação 'errada' (na visão dos deuses da verdade da Secom). Deu-se mais ou menos assim: Este 'plublisher', é assim que os tucanos gostam de chamar e é palavra de ordem na Secom, disse não compreender a razão das negativas da Secom, sempre se amparando em normas do TCU (como se o TCU tivesse poder de determinar normas ou definir critérios - uma das mais deslavadas mentiras do povo quando quer negar anúncio). Ao que ele respondeu que o melhor caminho seria o de mudar o eixo da revista e entrevistar, em sequência, Arthur Virgílio, Agripino Maia e Roberto Jefferson - todos eles desancando o governo. Daí sim, estaria de acordo com os critérios da Secom. Esta mesma linha de indignação escutei de outros amigos e até mesmo de gente de dentro da Secom, gente que não aceita o que está acontecendo - mas, com outras demandas e prioridades, resolveu esquecer aquele povo. É uma atitude perigosa, pois denota o poder que o tucanato ainda detém...

Esta é uma vergonhosa realidade que perdura na Secom, verdadeiro feudo de sumidadesa serviço dos que atacam o governo Lula e o PT. Lá, perduram-se as vontades dos derotados; transforma-se em normas aquilo que no máximo era recomendação tática dos tempos de FHC, Serra e Aécio - pois que são todos gatos do mesmo saco. O que dizer então do apego, quase endeusamento, ao IVC - criado na ditadura militar exatamente para impedir que veículos alternativos acessassem as verbas publicitárias? É aterrador perceber que no Governo Lula/PT, um estorvo da ditadura seja usado contra a democracia.

Antes de conversar com este interlocutor, estive na Secom e ao conversar com alguns raros petistas que por lá estão, pude perceber o quanto as orelhas de asno das viúvas de FHC se levantam e surgem expressões de desconforto quando alguém fala bem do Governo Lula e do PT em qualquer uma das salas. É possível confirmar, buscando na memória imagens e feições de quem andou por lá nos tempos de FHC, a permanência, memso em cargos táticos, de pessoas 'daquele tempo' e que continuam ditando regras e leis, privilegiando os seus e impondo suas vontades...

Este quadro vergonhoso da Secom adquire ares patéticos com a implantação de um pequeno circo, o chamado 'núcleo de mídia', armação grotesca que, comandado por que sempre odiou e discriminou tudo que se refere a comunicação comprometida com um Brasil diferente do por ele(s) adorado, acaba, a atuação do 'núcleo' servindo apenas e tão somente para chancelar o preconceito e direcionar verbas e publicidades para os que atendiam antes em seus negócios.

Olhando esta realidade perversa onde os de antes continuam mamando e mandando, me pergunto: Pra quê eleição, então? O que justifica a postura de adoradores do mercado que norteia a miopia do pessoal de comando da Secom, onde mais vale fortalecer quem ataca e agride do que criar mecanismos para democratizar o acesso às verbas? O que justifica aporte sistemático de rescursos em veículos que atacam e ridicularizam o governo? É muita estultice junta... Procurem um só jornal ou uma só revista dos tempos de FHC, dos tempos de Serra, de Arruda, de Aécio, de Luiz Henrique, de Pedro Simon ou de qualquer governante  'deles' para ver se há apoio a publicações ou emissoras que tragam qualquer crítica eles.

Mas a Secom não está sozinha. Outro bunker inexpugnável é a Caixa Econômica Federal, outra vez com o mesmo modelito de cinismo e de 'democracia' que a Secom usa, com a criação de um 'núcleo de mídia' que nada mais é do que uma palhaçada, um faz de conta para legitimar velhos preceitos de favorecimento. No caso da Caixa, há o ingrediente da dissimulação e da multiplicidade de comandos, onde quem parece menos mandar é o diretor da área, mas é só um faz de conta - porque onde todos mandam, quem comanda nem sempre é o chefe...

A Secom poderia usar um tratamento mais democrático, seguindo o exemplo do que os veículos exigiram para participar da Confecom - Conferência Nacional de Comunicação: que toda a verba publicitária do Governo Federal fosse dividida em patamares dos quais 40% ficasse com veículos de comprometimento social; 40% de veículos do 'deus mercado' e 20% de livre uso pela Secom. Seria uma forma de demonstrar que houve uma mudança no viés da distribuição das verbas, acabando com o poder dos maditos 'BVs' que tanto fascinam burocratas e alimentam antigos vínculos entre veículos, agências e chefes.

Mas sou teimoso e não canso de revelar o quanto os tucanos, ou o modo tucano de ser, continua mandando e mamando nas verbas, com a complacência e a omissão de quem, dentro do Governo Lula, deveria dar um basta em tudo isto. Claro que vou continuar fazendo uma revista errada. Claro que vou votar na Dilma, não só para que tenham continuidade as boas obras e os avanços sociais já transformados em realidade pelo Governo Lula/PT, mas também na esperança de quem em seu futuro governo sejam extintas certas práticas deploráveis, como as que ocorrem na Secom, alguns Ministérios e na Caixa. Ou que se entregue o governo todo aos tucanos, assumindo a incompetencia, o medo e a conivência.

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